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MOSTRA SOBRE RIOS REÚNE MAIS DE 100 OBRAS DE 40 ARTISTAS NO SESC QUITANDINHA, EM PETRÓPOLIS

Eventos
08 jul 2026
Melhores destinos para 2025

SESC Quitandinha

Antes mesmo do início oficial do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, já abriu as portas para uma nova exposição de longa duração. Batizada de Mais belo é o rio que corre, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas do Brasil e de outros países, com entrada gratuita até fevereiro do próximo ano.

Assinada pelo curador Marcelo Campos, com assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a exposição parte de uma imagem simples para construir seu conceito central: o encontro de dois rios, que podem correr lado a lado por um trecho, mantendo cores e densidades próprias, antes de finalmente se misturarem. Mesmo depois de unidos, cada um carrega consigo sua origem. É esse fenômeno, chamado de confluência, que serve de fio condutor para pensar encontros que ampliam e transformam sem apagar diferenças.

A curadoria dialoga com referências como a poesia de Alberto Caeiro e o pensamento do intelectual Antônio Bispo dos Santos, tecendo relações entre os fluxos das águas e a confluência entre saberes, pessoas e tempos distintos. A escolha do tema também conversa diretamente com o conceito da edição 2026 do Festival Sesc de Inverno, que adotou o verbo afluir como símbolo de encontro e celebração dos 80 anos do Sesc.

Para aprofundar essas reflexões, a mostra conta com textos inéditos encomendados a autores contemporâneos, entre eles Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar Vieira Junior e Marcia Kambeba, que assinam produções literárias voltadas a temas como memória, território, ancestralidade e formas de existência.

O recorte de artistas participantes privilegia países latino-americanos, como Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, mas também inclui nomes de nações como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras selecionadas observam territórios fronteiriços e tratam os rios como entidades vivas, essenciais à manutenção da biodiversidade e dos ciclos naturais.

Um dos pontos altos do percurso é uma instalação inédita concebida especialmente para a cúpula do centro cultural pelo artista chileno Alfredo Jaar. A mostra também reserva espaço para experiências imersivas de arte cinética, em diálogo com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, com instalações de luz e movimento que remetem ao banzeiro, termo amazônico usado para descrever o balanço intenso das águas e a sensação de vertigem que ele provoca.

Também chama atenção a instalação Serpentes, do artista Jaider Esbell, que ocupa pela primeira vez o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha com esculturas infláveis, ampliando a relação entre a mostra e a paisagem ao redor. Completam a lista de participantes artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Skarnulyte.

Ao reunir artistas plásticos, escritores e diferentes formas de olhar para as águas, a exposição convida o público a enxergar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas, essenciais à continuidade da vida. Em um momento de crise climática, a proposta é justamente pensar novas formas de convivência, mais atentas à diversidade e à interdependência entre os seres.

SERVIÇO: Exposição Mais belo é o rio que corre. Centro Cultural Sesc Quitandinha, Avenida Joaquim Rolla, 2, Quitandinha, Petrópolis. Visitação de 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, de terça a domingo e feriados, das 10h às 17h. Entrada gratuita.