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21 DE JANEIRO: DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO E DIA NACIONAL DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL
O dia 21 de janeiro carrega um significado especial no calendário mundial e brasileiro. A data marca o Dia Mundial da Religião, criado em 1949 por uma Assembleia Religiosa Nacional dos Baha’is, com o objetivo de promover o respeito, a tolerância e o diálogo entre as diferentes tradições religiosas existentes no mundo. A iniciativa parte do princípio de que as religiões, apesar de suas diferenças, compartilham valores fundamentais como a bondade, a solidariedade e a busca pela paz.
No Brasil, a data ganha ainda mais força ao ser reconhecida oficialmente como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007. A escolha do dia não é aleatória: ela homenageia a memória de Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, ialorixá e fundadora do terreiro de candomblé Ilê Asé Abassá, em Salvador.
Mãe Gilda foi vítima de uma série de ataques motivados por intolerância religiosa. Após ser acusada publicamente de charlatanismo, sua casa e seu terreiro foram alvo de invasões, agressões verbais, físicas e até incêndios criminosos. A perseguição constante fragilizou sua saúde, culminando em um infarto fatal em 21 de janeiro de 2000. O caso se tornou um símbolo da violência enfrentada por praticantes de religiões de matriz africana no país.
Para lideranças religiosas e especialistas, o caminho para uma convivência mais fraterna passa pelo diálogo e pela educação. Dom Francisco Biasin, bispo da diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB, defende que é fundamental desvincular a fé de interesses ideológicos e políticos. Segundo ele, a verdadeira experiência religiosa deve levar ao cuidado com o outro, com a natureza e com a vida.
O finado papa Francisco também reforçava essa visão ao afirmar que nenhuma religião pode justificar a violência ou a morte de outros seres humanos. Para ele, a fé autêntica é vida, crescimento e abertura ao diálogo.
Ao mesmo tempo em que o 21 de janeiro convida à reflexão sobre respeito e convivência, a data também permite observar a força da religião como fenômeno cultural e social, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, que vem se consolidando como um dos principais destinos de turismo religioso do país.
Um estudo elaborado pela Prefeitura do Rio, por meio da Riotur e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, aponta que o turismo religioso já representa 6,7% de todos os eventos realizados na capital, ocupando a quinta posição no calendário oficial da cidade. Somente em 2024, essas atividades reuniram cerca de 450 mil participantes.
Entre os destaques está a Marcha para Jesus, que atraiu aproximadamente 200 mil pessoas ao longo do percurso e outras 40 mil no Sambódromo. Os números evidenciam que a fé também movimenta a economia: atualmente, 781 instituições religiosas geram cerca de 8,5 mil empregos diretos, com impacto anual de R$ 279,5 milhões em salários.