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DIA DE IEMANJÁ TRANSFORMA O RIO EM PALCO DE FÉ, CULTURA E CELEBRAÇÃO

Eventos
02 fev 2026
Melhores destinos para 2025

Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, o Rio de Janeiro se veste de branco para celebrar o Dia de Iemanjá, uma das datas mais simbólicas das religiões de matriz africana no Brasil. A orixá, rainha do mar e das águas doces, é reverenciada no Candomblé e na Umbanda e mobiliza moradores, fiéis e turistas em uma programação que mistura fé, cultura popular, música, gastronomia e memória ancestral.

Não por acaso, o Rio foi eleito o melhor destino nacional de afroturismo pela plataforma Guia Negro, em parceria com a Embratur. A cidade reúne paisagens icônicas e territórios que resgatam histórias profundas da diáspora africana, especialmente evidentes durante celebrações como o Dia de Iemanjá, quando tradição, espiritualidade e identidade ganham as ruas.

Como eternizou Dorival Caymmi, “é doce morrer no mar”, e é nesse encontro entre espiritualidade e festa que o Rio reafirma sua vocação plural. Ao longo do dia, diferentes pontos da cidade recebem rituais, cortejos, feiras, rodas de samba e eventos gastronômicos abertos ao público.

Um dos principais destaques é a celebração dos 50 anos do Presente para Iemanjá, organizada pelos Filhos de Gandhi. A concentração acontece na Rua Camerino, nº 7/9, na região da Pequena África, no bairro da Saúde, território fundamental da cultura afro-brasileira. No local, será realizado um xirê com saudações aos orixás e servido café da manhã gratuito. Em seguida, um cortejo segue até a Praça Mauá, de onde parte a embarcação responsável pela tradicional entrega de oferendas no mar, como flores brancas, perfumes, champanhe e arroz doce. A programação segue até às 21h, com apresentações musicais ao vivo e som mecânico.

Ainda na região portuária, o Dia de Iemanjá é também uma oportunidade de mergulhar na história afro-brasileira. O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) oferece uma exposição permanente dedicada ao legado africano, além de rodas de conversa e atividades culturais. Na mesma rua, o Instituto de Pesquisa Pretos Novos preserva a memória do maior cemitério de africanos escravizados das Américas. Ambos ficam na Rua Pedro Ernesto, 80, na Gamboa, com visitação gratuita de terça a domingo, das 10h às 17h.

A poucos passos dali, o Largo de São Francisco da Prainha concentra baianas do acarajé e restaurantes que dialogam diretamente com a culinária de matriz africana, como o Dois de Fevereiro e a Casa Omolokum. A região abriga ainda o Morro da Conceição, com seus mirantes, ateliês e ruas históricas, tornando-se um dos roteiros mais completos para quem deseja vivenciar o afroturismo no Rio.

Na Zona Sul, o Arpoador se firma como outro grande palco da celebração. Até as 22h, o local recebe feira de gastronomia, moda e artesanato, além de giras, rodas de samba, coco, ciranda, jongo e show do grupo Samba de Caboclo. O cortejo com oferendas acontece à tarde, com concentração às 15h, na altura da estátua de Tom Jobim, e saída às 16h. Esta é a quinta edição do evento e a primeira após o reconhecimento como patrimônio cultural imaterial. A expectativa é de grande público, em 2025, mais de 25 mil pessoas participaram.

Outras manifestações também marcam a data. O Grupo Tá Na Rua promove um cortejo teatralizado que sai às 15h de sua sede, na Lapa, em direção à Praia do Flamengo. Já o Festival Iemanjá Carioca e Presente para Yemanjá reúne música e ancestralidade com a participação do DJ MAM e do tradicional Afoxé Filhos de Gandhi.

A gastronomia completa a experiência. O restaurante Dois de Fevereiro, comandado pelo chef João Diamante, celebra a data com o clássico arroz odoyá, além de roda de samba e cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi, a partir das 11h.

Paraty também integra o circuito de celebrações em homenagem à Rainha do Mar com a tradicional Festa de Yemonjá, que acontece nos dias 2 e 3 de fevereiro. Utilizando a grafia “Yemonjá”, em referência ao idioma yorubá, no qual Yéyé Omó Ejá significa “a mãe cujos filhos são peixes”, a cidade histórica promove uma grande celebração que une espiritualidade, cultura e gastronomia. A programação inclui apresentações culturais, cortejos terrestres e marítimos, shows musicais e um circuito gastronômico especial, com restaurantes oferecendo pratos inspirados na orixá, símbolo de proteção, amor e fertilidade na Umbanda e no Candomblé.

Já em Maricá, a tradição se mantém viva com a 17ª edição do Presente de Iemanjá, realizada em Cordeirinho com apoio da Prefeitura, por meio da Coordenadoria de Assuntos Religiosos. A homenagem começa no fim da tarde, em frente à Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, e segue em cortejo até o local da entrega das oferendas. Idealizado por Loretta Yang e Wallace Lima, o rito reúne líderes religiosos, candomblecistas, umbandistas e simpatizantes das religiões de matriz africana em um momento de fé, agradecimento e celebração do legado da cultura africana no Brasil.

Entre rituais, música, memória e encontros à beira-mar, o Dia de Iemanjá reafirma o Rio de Janeiro como um território de resistência cultural, fé viva e valorização das tradições afro-brasileiras, uma cidade onde celebrar também é lembrar, honrar e preservar.